Família Oliveira

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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Re morrer

Quantas vezes ainda hei de morrer?
Tantas vezes fui velada...
Quanto tormento e lamento!
Quantas dores!
Tantas flores...
Tantos abraços e beijos e,
Ao redor do meu esquife,
Quantas velas perfumadas!

Antecipo um vislumbre do fim,
Da morte derradeira
Mudando a órbita do meu olhar
E retirando o uni verso
de dentro de mim.

Mas, por enquanto, sou Fênix!
Resisto...

Carmem Regina Dias

6 comentários:

  1. Reconheço-o.
    É o meu próprio esquife.
    Sinto-os, velas, acesas, flores perfumadas,
    abraços e algum lamento;
    todo dia é assim, um começo e um fim.
    Mas algo permanece, embrião do novo dia,
    semente, poesia.
    Somente poesia permanece.

    Belo blog!

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  2. Perdoe, minha amiga.

    Pode fazer o uso que quiser dos
    poemas, são teus.
    Mario, no filme O Carteiro e o POeta,
    disse a Neruda que os poemas, uma vez
    escritos, são de quem precisa deles.
    Mario socializou o trabalho poético.
    E Neruda ficou calado, estupefato.

    É uma honra para mim, que tenham
    tocado tua alma,
    cada um reescreve, por seu próprio
    olhar, o poema do poeta.

    Só me avise, se o for prestigiar em seu blog, rsss
    Pq a sustentável leveza dos prêmios
    dos concursos atrai... como atrai os milhares de poetas que brindam
    essa terra de meu Deus. E que também estão presentes nos concursos.. rsss
    E é um desafio rever um poema nessas horas,
    com o intuito de torná-lo minimamente atraente e essencial, por minhas mãos. Mas o teu olhar é como a mão do pai no ombro do filho
    dizendo Vai!
    Muchas gracias, ternura.

    Carmen

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  3. Ah, não retires o que escreveu. Molda-o. Ao bel prazer do teu coração, mas não o rechasses.
    É teu, do teu espírito, e esses olhos, essas mãos, servem a ele, espírito, súdito do Rei.
    Se um dia não servirem mais para ti, servirá
    para outrém, que se beneficiará da energia
    com que foi gerado, com o antídoto ou o bálsamo
    que te aliviou e elevou.

    És uma estrela, poeta. Somos todos feitos
    do mesmo pó com que as estrelas foram feitas,
    elas se apagarão, lembra disso, mas tu, não.
    Tu serás Luz e não haverá final dos tempos
    para ti, como o lamento da flauta de Gibran.

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  4. Ah, falando em Morrer, peguei este aqui que eu gosto muito, para ti.

    "Quando o poeta foi embora a tristeza abalou poesia.
    Com cara de poema gótico arrancou as penas de suas asas

    e fez para si mesma uma bela e invejável cruz.
    Colocou-se deitada nela, infinitamente...


    Sentiu frio no lugar onde antes haviam penas,
    no lugar das asas, braços, ombros, pescoço,
    costas, orelhas, rosto...


    Um frio ardido e tão gelado que talvez pudesse ser definido
    como o frio da morte.
    Queria sentir o prazer da dor do poeta em seu corpo.
    E sentiu. Mas não compreendeu.

    Não fora criada para o frio, nem para a dor, nem era poeta.
    Era simplesmente poesia.


    Quando quis sair da cruz, viu que estava grudada.

    Era primavera e os cravos despontavam nos canteiros de suas mãos e pés.


    Então ficou ali, deitada, crucificada,
    milhares de poemas brotando de suas feridas.
    Eram tantos ... alcançavam o céu.


    Ficou ali, entregue, até ser sufocada
    por eles,
    tão densos, tão profundos, tão ternos,
    tão eternos."


    Carmen Regina Dias

    outra hora posto para teu uso, caso queira,
    o poema onde o poeta largou poesia sozinha
    na noite escura, pobrecita...

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  5. P.S. Quero te apresentar um grande poeta,
    Fernando Ribeiro, português, letrista e
    vocalista da banda metal Moonspell,
    seu livro, Cofre Aberto, é um tesouro.

    Deixar-te cair
    Um novo poema meu:


    Deixar-te cair.
    Deixar-te cair
    Para que renasças
    Em ti,
    E só para ti.

    Afastar-me do teu caminho
    Tirar os dedos que te tapavam a boca
    Com mel e escuridão,
    Para que respires
    E que no teu respirar
    Encontre restos do que foi o meu.

    A tua paz será sempre a minha paz.

    O teu viver iluminará
    Um mundo melhor que o meu
    Sei que sou apenas o que de mortal
    tem a sombra
    Que teu sol projecta.
    Nascerás sempre
    Mesmo que não seja para mim.

    (Fernando Ribeiro)

    São tão díspares os motivos de viver...complementares, todavia, pois que
    ninguém me tira que somos todos um.

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  6. lindo...lindoooo...simplismente lindaaa a sua participação... estou encantada com tanta beleza e levesa nas palavras...impressionante como existem pessoas que conseguem mostrar, por meio do lápis e do papel, o que diz o coração e a alma...decifrando sentimentos...sensações...emoções...tudo que tão abstrado e inexpremível parece a tantos...

    Bjus no core!!!

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